Washington, 10 de junho de 2026 — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que “ama a inflação” após novos dados oficiais apontarem aceleração dos preços no país. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 4,2% em maio na comparação anual, a maior alta em três anos, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS). A escalada é puxada, sobretudo, pelos custos de energia em meio ao conflito envolvendo EUA, Israel e o Irã, o que elevou o preço médio da gasolina para US$ 4,15 por galão. As declarações de Trump geraram críticas da oposição e ampliaram a pressão sobre o Federal Reserve às vésperas da próxima decisão de juros.
Inflação acelera pelo terceiro mês
- De acordo com o BLS, a inflação anual passou de 3,8% em abril para 4,2% em maio, marcando o terceiro mês consecutivo de aceleração.
- Energia foi o principal vetor: as contas de gás e eletricidade ficaram quase um quarto mais altas do que um ano antes, com a gasolina respondendo por grande parte do aumento. Também subiram passagens aéreas, cuidados pessoais e médicos, lazer e comunicação.
- Apesar da alta, a inflação segue abaixo do pico de 9,1% registrado em junho de 2022, durante o governo Joe Biden, conforme dados do próprio BLS.
Energia no centro da pressão de preços
- A média nacional do galão de gasolina comum está em US$ 4,15 (cerca de R$ 4,73 por litro), frente aos US$ 2,98 (R$ 3,40 por litro) de 28 de fevereiro, quando os EUA intensificaram ataques contra alvos iranianos, segundo a associação automobilística AAA.
- O Brent, referência global do petróleo, permanece negociado significativamente acima dos níveis anteriores ao início do conflito.
- Em resposta aos ataques, o Irã fechou o estreito de Ormuz, rota por onde normalmente transita cerca de um quinto do petróleo e do gás do mundo, restringindo a oferta e adicionando prêmio de risco às cotações internacionais.
Trump diz que inflação vai “cair como uma pedra”
- “Eu amo isso. Os números foram ótimos. Sabe o que eu realmente amo? Eu amo a inflação”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca. O presidente afirmou que, quando o conflito no Irã terminar, os preços “vão cair como uma pedra”.
- Trump relatou operações noturnas dos EUA para retirar “milhões de barris” de petróleo do Irã, o que, segundo ele, contribuiu para uma leve queda nos preços no curto prazo. Mais tarde, forças norte-americanas anunciaram novos bombardeios em território iraniano.
- Em entrevista posterior ao New York Post, Trump disse que seus comentários foram tirados de contexto e argumentou que a inflação está “muito mais baixa do que o previsto”, apesar da guerra.
Repercussão política e eleitoral
- A fala do presidente motivou críticas da oposição. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, escreveu na rede X: “O desprezo dele por vocês não tem limites.”
- A persistência de preços elevados é vista como um obstáculo político relevante às vésperas das eleições legislativas de novembro, em um cenário em que os eleitores apontam a economia entre as principais preocupações.
- Trump afirma que reduzir a inflação é prioridade de sua agenda de 2024 e sustenta que as pressões atuais são temporárias e devem arrefecer com o fim da guerra.
Fed sob pressão às vésperas da decisão
- A inflação acima da meta de 2% do Federal Reserve aumenta a probabilidade de aperto monetário. Tradicionalmente, quando a inflação está significativamente acima do objetivo, o banco central tende a elevar juros para arrefecer o consumo e conter a alta de preços.
- Kevin Warsh, recém-empossado presidente do Fed, anunciará na próxima semana sua primeira decisão de política monetária. Economistas projetam manutenção da taxa no intervalo atual de 3,5% a 3,75% no curto prazo, mas alertam que sinais adicionais de inflação persistente podem forçar aumentos.
- Para Stephen Brown, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, a alta de maio, por si só, “não é grande o suficiente para fornecer munição” aos que defendem subir juros já. Já Isaac Stell, gestor da Wealth Club, avaliou que um aumento “é a conclusão mais lógica com base nos dados de hoje combinados com os sólidos números de empregos da semana passada”.
O que observar a seguir
- O BLS indicou que maio consolidou o terceiro mês de aceleração do CPI, reforçando a sensibilidade dos preços à energia. Economistas alertam que, mesmo com uma resolução rápida do conflito, pode levar até 2027 para a normalização dos fluxos pelo estreito de Ormuz.
- A evolução do Brent e os próximos dados de inflação e emprego serão determinantes para o rumo dos juros nos EUA. Uma desaceleração clara dos preços de energia pode aliviar a inflação; o contrário tende a manter o Fed em modo vigilante.
Sobre o indicador
O CPI mede a variação de preços ao consumidor em relação ao mesmo mês do ano anterior e é o termômetro mais acompanhado para a inflação nos EUA, segundo o BLS.
Fontes
Bureau of Labor Statistics (BLS); AAA; declarações do presidente na Casa Branca e ao New York Post; agências e veículos internacionais (incluindo Reuters) para contexto do mercado de petróleo e do conflito no Irã.
