Resumo
O dólar fechou abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira (13), pela primeira vez em mais de dois anos, em movimento que marcou o quarto dia seguido de desvalorização frente ao real. O recuo ocorre em meio à realocação de capital global diante de incertezas geopolíticas e de política externa dos Estados Unidos, com investidores aumentando a exposição a ativos brasileiros e de outros emergentes. No Brasil, o fluxo financeiro, o diferencial de juros e o apoio das commodities reforçam o fortalecimento do real. Segundo o G1 e outros veículos, o Ibovespa renovou recorde no pregão (g1.globo.com/economia/noticia/2026/04/13/dolar-ibovespa.ghtml; economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/04/13/fecha-dolar-bolsa-hoje-13-de-abril-de-2026.ghtm; cnnbrasil.com.br/economia/mercado/mercado-financeiro-ibovespa-dolar-13-abril-2026).
Fluxo de capitais e câmbio
- A busca por alternativas de investimento fora dos EUA, em um ambiente de incerteza, elevou o apetite por ativos brasileiros. Quando entram mais recursos do que saem, cresce a oferta de dólares no mercado doméstico — investidores vendem a moeda americana para comprar reais —, pressionando a cotação do dólar para baixo.
- Esse movimento tem ocorrido de forma consistente nas últimas sessões, contribuindo para a queda acumulada do câmbio e para a valorização dos ativos locais, como ações.
Geopolítica e petróleo
- O ambiente externo segue dominado pelos desdobramentos no Oriente Médio. Após o fracasso de negociações por um acordo de paz entre EUA e Irã no fim de semana, o presidente americano, Donald Trump, determinou o bloqueio do Estreito de Ormuz a navios que transitem de ou para portos iranianos, ampliando a incerteza nos mercados globais (g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/13/por-que-donald-trump-decidiu-bloquear-o-estreito-de-ormuz-apos-tanto-defender-a-abertura-entenda.ghtml).
- O risco geopolítico reacendeu preocupações sobre o fornecimento de petróleo. As cotações voltaram a oscilar próximas de US$ 100 por barril nesta segunda-feira (13), refletindo a sensibilidade do mercado a potenciais restrições de oferta.
- Em paralelo, sinais pontuais de possível retomada das conversas também ajudaram a sustentar a melhora do humor nos mercados, reduzindo parte da aversão a risco durante o pregão.
Juros, commodities e fundamentos domésticos
- Além do cenário externo, fatores locais têm favorecido o real: o diferencial de juros — a diferença entre a taxa básica brasileira e a americana —, aliado ao maior fluxo para a Bolsa e renda fixa, amplia a atratividade relativa do Brasil.
- O país segue relativamente bem posicionado entre emergentes por ser exportador líquido de commodities, o que beneficia a balança comercial e sustenta as contas externas em momentos de preços elevados de matérias-primas.
- “O dólar iniciou a sessão em alta, mas o movimento perdeu força, acompanhando uma melhora gradual do humor externo, com sinais pontuais de possível retomada das negociações e recuperação das bolsas em Nova York”, avaliou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destacando ainda o apoio do petróleo em patamar alto e do fluxo para ativos brasileiros.
Desempenho recente do câmbio
- A tendência de queda do dólar frente ao real não é isolada a 2026. Em 2025, a moeda americana acumulou baixa de 11,8% no Brasil, o maior recuo em quase 10 anos — atrás apenas de 2016, quando caiu 17,8% —, em meio à expectativa de juros mais baixos nos EUA e maior incerteza política naquele país (g1.globo.com/economia/noticia/2025/12/30/dolar-tera-queda-em-2025-veja-por-que.ghtml).
- O movimento global de diversificação por parte de investidores, somado aos fundamentos locais, ajudou a sustentar a apreciação do real.
O que observar
A trajetória do câmbio seguirá sensível a:
- Desdobramentos no Oriente Médio e eventuais impactos nas cotações do petróleo.
- Sinais de fluxo estrangeiro para a Bolsa e renda fixa brasileiras.
- Expectativas para juros nos EUA e no Brasil, que afetam o diferencial de taxas e o apetite por risco.
Encerramento
A queda do dólar abaixo de R$ 5 reflete a combinação de um choque externo — com maior incerteza geopolítica e reposicionamento global de carteiras — e de fatores domésticos, como fluxo e diferencial de juros. A continuidade desse movimento dependerá do noticiário internacional, sobretudo sobre o Oriente Médio e o petróleo, e da dinâmica de entradas de recursos no mercado brasileiro.
