A inflação persistente, a alta no custo de vida e os efeitos da guerra contra o Irã têm corroído a confiança dos eleitores americanos na condução da economia pelo presidente Donald Trump. É o que mostra uma pesquisa divulgada neste domingo (10) pelo Financial Times, a seis meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. O levantamento, realizado pela britânica Focaldata entre 1º e 5 de maio com 3.167 eleitores registrados, indica que 58% desaprovam a forma como o presidente lida com inflação e custo de vida — hoje apontados como os principais problemas do país.
Inflação e custo de vida no centro da insatisfação
- De acordo com a sondagem do FT/Focaldata, a avaliação negativa sobre preços e poder de compra se estende a outras frentes econômicas. Mais da metade dos entrevistados desaprova o desempenho do presidente em emprego, economia em geral e política externa.
- O resultado acende um alerta para o Partido Republicano, que atualmente controla a Câmara dos Representantes e o Senado. A deterioração da percepção econômica tende a pesar sobre o pleito de novembro, quando todos os assentos da Câmara e parte do Senado estarão em disputa.
Tarifas e política comercial sob pressão
- A política tarifária da Casa Branca também enfrenta resistência: 55% dos eleitores afirmam que as tarifas impostas pelo governo prejudicaram a economia dos Estados Unidos; apenas cerca de um quarto vê benefícios.
- A rejeição não se limita a democratas. Eleitores independentes — e, em menor grau, parte dos republicanos — demonstram insatisfação com a estratégia comercial, segundo o levantamento.
Guerra contra o Irã e impacto nos combustíveis
- A pesquisa foi realizada em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Ataques aéreos conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, intensificaram a tensão regional e já afetam o mercado global de petróleo, de acordo com o Financial Times.
- O efeito mais imediato tem aparecido nas bombas: o preço médio da gasolina no país alcançou cerca de US$ 4,60 por galão — quase 50% acima do nível anterior à escalada do conflito. Apesar disso, Trump vem afirmando publicamente que os preços seguem “muito baixos”.
- A percepção do eleitorado diverge. Para 54% dos entrevistados, a condução do presidente na guerra contra o Irã é desaprovada. Entre republicanos, cerca de 20% também demonstram insatisfação, sinalizando fissuras na base de apoio.
Aprovação geral em queda
- O desgaste econômico e externo se reflete na avaliação ampla do governo. Segundo o FT/Focaldata, 54% dos eleitores desaprovam o desempenho de Trump como presidente, enquanto 39% aprovam.
- Entre independentes — grupo considerado decisivo — a rejeição supera 58%, ampliando as dificuldades políticas para a Casa Branca no curto prazo.
Termômetro eleitoral: vantagem democrata no Congresso
- A poucos meses das eleições de meio de mandato, o levantamento indica vantagem democrata no voto para o Congresso: o partido aparece oito pontos à frente dos republicanos entre eleitores registrados, diferença que se amplia entre independentes.
- Com a economia e os preços no centro do debate, o cenário descrito pelo FT sugere que a perda de fôlego na popularidade do presidente pode abrir espaço para uma possível virada democrata em novembro.
Resposta da Casa Branca e perspectivas
- Procurada pelo Financial Times, a Casa Branca minimizou os resultados. Em nota ao jornal, um porta-voz afirmou que medidas como cortes de impostos, desregulamentação e a política energética mantêm a economia em “trajetória sólida”.
- Segundo o governo, a expectativa é que a redução de tensões no setor energético contribua para alívio nos preços da gasolina, aumento dos salários reais e desaceleração da inflação.
Encerramento
Com inflação elevada, combustíveis pressionados e o conflito no Oriente Médio no radar, a pesquisa FT/Focaldata adiciona um componente de risco político para a Casa Branca e para o Partido Republicano às vésperas do ciclo eleitoral. O comportamento dos preços e do mercado de energia nos próximos meses deve ser determinante para a percepção do eleitorado — e, por consequência, para o equilíbrio de forças no Congresso em novembro.
