A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, lojistas da Rua 25 de Março, tradicional polo do comércio popular no centro de São Paulo, registram forte aceleração nas vendas de artigos verde e amarelo após a convocação da seleção, em 18 de maio, que incluiu Neymar. Apesar de preços mais altos que em 2022, comerciantes relatam fluxo intenso de consumidores e tíquete médio maior na região, impulsionados pelo clima de Mundial e por um calendário que coincide com as festas juninas. O torneio será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, com final marcada para 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Otimismo às vésperas do Mundial
- Nas lojas e corredores da 25 de Março, itens temáticos tomam as vitrines e se esgotam rapidamente desde a divulgação da lista final de 26 jogadores. “As vendas explodiram no dia seguinte à convocação. O público veio às compras logo depois. Estamos muito contentes. Tomara que continue até 19 de julho”, afirma Pierre Sfeir, dono da Festas e Fantasias, uma das lojas mais movimentadas da região.
- Do lado dos consumidores, há disposição para gastar mais do que na Copa passada. Em visita a São Paulo, o empresário carioca Fabiano Mota disse ao g1 que levou camisetas da seleção para toda a família na 25 de Março. “Neste ano, estou consumindo mais itens. Acredito que o hexa será nosso. Não tem como não se animar”, relatou.
Preços sob pressão, demanda resiliente
- Comerciantes apontam alta média de cerca de 15% nos preços em relação a 2022. Segundo Sfeir, parte do aumento ocorreu recentemente, puxado pela valorização do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio, o que encareceu insumos plásticos e pressionou o diesel, elevando custos logísticos.
- Mesmo com a inflação dos itens, a demanda resiste. Um dos campeões de vendas é um kit de R$ 47 com 12 peças — óculos personalizados, bandeira, corneta, confete, maquiagem em verde e amarelo e bastão inflável, entre outros.
Réplicas em alta e preço das oficiais pesa
- Réplicas das camisetas da seleção são onipresentes nas barracas e lojas de rua, com preços entre R$ 80 e R$ 320, segundo a apuração do g1 na região. Vendedores explicam que há três categorias principais de produto, variando em qualidade e acabamento.
- O diferencial de preço frente às peças oficiais — como a camisa de jogador encontrada por cerca de R$ 750 — ajuda a explicar a preferência do público pelas réplicas, afirmam comerciantes.
- Em 2022, quando a Copa ocorreu em novembro, o apelo comercial foi diferente, e a polarização política afetou as cores mais vendidas: camisetas azuis e pretas superaram as amarelas, segundo relatos à época. Neste ciclo, essa preocupação perdeu força, e as peças em amarelo retomaram protagonismo, relatam vendedores. Vanessa Andrade, que comercializa réplicas na região, diz que as vendas “dispararam” após a convocação e avalia que o ritmo deve seguir firme.
Efeito calendário: Copa e festas juninas
- As Festas Juninas, celebradas em todo o país ao longo de junho, também impulsionam o movimento. Tradicionais por suas bandeirinhas, quadrilhas e arraiais, as festas ampliam a cesta de compra com itens temáticos que dividem espaço nas prateleiras com os produtos da Copa.
- A gerente de conta Valéria Guimarães aproveitou para equipar a casa para os jogos e, ao mesmo tempo, comprar artigos para São João.
- Quando os dois eventos coincidem, o faturamento costuma crescer entre 20% e 30%, estima Pierre Sfeir.
25 de Março: termômetro do varejo popular
- A Rua 25 de Março é reconhecida nacionalmente como um dos maiores centros de comércio popular do país, com forte tradição em atacado e fluxo intenso de consumidores em busca de variedade e preços competitivos. A área concentra galerias e lojas especializadas que, historicamente, respondem rapidamente a datas sazonais e grandes eventos.
Perspectivas
Com a proximidade do início do Mundial e a final agendada para 19 de julho, lojistas da 25 de Março projetam manutenção do ritmo de vendas, sustentado pelo entusiasmo do torcedor e pelo ambiente sazonal favorável. Mesmo com a pressão de custos, a combinação de demanda por artigos temáticos, preços mais acessíveis que os oficiais e o calendário junino tende a sustentar o faturamento do comércio popular paulistano durante o torneio.
