Arrecadação deve atingir 23,6% do PIB
Após uma série de medidas que elevaram tributos e restringiram benefícios fiscais, a equipe econômica do governo federal projeta que a arrecadação de impostos, contribuições federais e demais receitas — como royalties do petróleo — alcance um novo recorde em 2026. Segundo o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do orçamento do segundo bimestre, a receita total deve somar 23,6% do Produto Interno Bruto (PIB), igualando o pico anterior registrado em 2010. Especialistas consideram a comparação pela proporção da receita em relação ao PIB a forma mais adequada para análises históricas; outra possibilidade é a deflação dos valores nominais.
‘Recomposição fiscal’ e justiça tributária, diz Fazenda
Questionado por jornalistas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu terceiro mandato, tem promovido uma “recomposição fiscal” pautada pelo “princípio importante de justiça tributária”.
“De fato, a gente passou a fechar uma série de abusos na legislação, fechar programas que se mostravam ineficientes. E cortar, nesse ano, benefícios tributários”, disse Durigan, ao comentar o movimento que sustenta a melhora da arrecadação.
Medidas devem continuar em 2027
No Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado em abril ao Congresso Nacional, a equipe econômica indicou que medidas voltadas à “recuperação da base arrecadatória” continuarão sendo adotadas para o cumprimento das metas fiscais dos próximos anos (fonte: PLDO/2027; ver também: g1.globo.com, 21/04/2026). O governo reforça que a comparação do desempenho arrecadatório com o PIB ajuda a capturar a dinâmica da economia e a eficiência das medidas de combate a brechas e renúncias.
Objetivo é recompor o superávit e estabilizar a dívida
De acordo com o governo, o objetivo é promover uma “contínua e gradual” recomposição do superávit das contas públicas, favorecendo a estabilização da trajetória da dívida no médio prazo. A manutenção do nível de arrecadação projetado e a continuidade das ações de fechamento de brechas e revisão de benefícios tributários são apontadas como pilares para sustentar as metas fiscais traçadas.
Próximos passos
Com a previsão de arrecadação em 23,6% do PIB e a sinalização de continuidade das iniciativas no PLDO de 2027, o governo aposta na consolidação do ajuste fiscal por meio do aumento de receitas e da revisão de incentivos. A evolução será monitorada nos próximos relatórios bimestrais de receitas e despesas e no andamento do debate orçamentário no Congresso.
