Spotnet — O governo federal lançou nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, novo título do Tesouro Direto desenvolvido em parceria com o Banco do Brasil (BB) e apresentado com o tradicional toque de campainha na B3. A aplicação, alternativa à poupança, aos CDBs e às “caixinhas” digitais dos bancos, permite investir a partir de R$ 1, tem vencimento em três anos e rendimento atrelado à taxa básica de juros (Selic), com possibilidade de resgate a qualquer momento, sem descontos.
O que é o Tesouro Reserva e para quem se destina
- O Tesouro Reserva é um título de dívida pública do Tesouro Direto, plataforma do governo federal voltada à compra de papéis do Tesouro Nacional por pessoas físicas. De acordo com o Ministério da Fazenda, o produto foi desenhado com foco em simplicidade, formação de reserva financeira e previsibilidade de rendimento.
- Por ser título público federal de renda fixa, é considerado de baixo risco. “O produto mira quem quer rentabilidade, mas também quer segurança”, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.
- Na prática, o investidor pode aplicar e resgatar os recursos a qualquer momento, inclusive com transferência via Pix, e o valor investido não sofre oscilação no momento da compra ou do resgate.
Como funciona: aplicação, liquidez e disponibilidade
- Investimento mínimo: R$ 1.
- Vencimento: 3 anos, com liquidez diária e resgate a qualquer momento, sem descontos.
- Disponibilidade: já acessível aos correntistas do Banco do Brasil, que participou do desenvolvimento do produto com a Secretaria do Tesouro Nacional. A liberação integral para clientes do BB começou na quinta-feira (7). A oferta por outras instituições financeiras dependerá de adesão e implementação de cada banco.
- Como investir (BB): acessar a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos do banco, selecionar Tesouro Reserva, definir o valor e confirmar a operação.
Rentabilidade e custos
- Remuneração: atrelada à Selic, a taxa básica de juros, atualmente em 14,50% ao ano. Ainda não foi detalhado se a rentabilidade corresponderá a 100% da taxa.
- Custos: especialistas apontam que a B3 não detalhou integralmente a estrutura de custos do novo papel. De referência, os títulos do Tesouro Direto atualmente estão sujeitos à taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano; aplicações de até R$ 10 mil são isentas dessa cobrança.
Tributação: IR e IOF
- Imposto de Renda: segue a tabela regressiva para renda fixa — 22,5% (até 180 dias), 20% (de 181 a 360 dias), 17,5% (de 361 a 720 dias) e 15% (acima de 720 dias).
- Base de cálculo: o IR incide apenas sobre os rendimentos. Exemplo: se um investimento de R$ 1.000 render R$ 100 (saldo de R$ 1.100), o imposto será cobrado somente sobre os R$ 100 de ganho.
- IOF: há cobrança de IOF apenas em resgates realizados nos primeiros 30 dias; após esse período, não há incidência.
Alternativa à poupança, CDBs e “caixinhas” digitais
- O Tesouro Reserva surge como uma opção direta para quem busca liquidez imediata, previsibilidade e baixo valor de entrada, características que miram o público iniciante e a formação de reserva de emergência.
- Segundo analistas, a combinação entre segurança do emissor (governo federal), saque rápido e rendimento atrelado à Selic torna o produto competitivo frente a CDBs de liquidez diária, às caixinhas digitais e à poupança. Marcos Praça, da ZERO Markets, avalia que o título tende a ganhar espaço justamente pelo apelo à reserva de emergência.
- Em relação aos custos, especialistas ponderam que ainda há pontos a esclarecer por parte da B3 acerca da estrutura específica aplicada ao Tesouro Reserva.
O que observar daqui para frente
- Disponibilização em outros bancos: dependerá da adesão de cada instituição e da integração de sistemas.
- Detalhe da remuneração: o percentual exato de vinculação à Selic ainda será formalizado.
- Custos finais: investidores devem acompanhar eventuais comunicados da B3 sobre estrutura de taxas aplicáveis ao novo papel.
Encerramento
Com aplicação mínima de R$ 1, liquidez diária e rentabilidade atrelada à Selic, o Tesouro Reserva amplia o cardápio do Tesouro Direto para o investidor que busca uma alternativa simples, previsível e de baixo risco para montar sua reserva financeira. A oferta já está ativa para clientes do Banco do Brasil e deve se expandir conforme outras instituições aderirem ao produto, enquanto o mercado aguarda detalhamentos finais sobre a estrutura de remuneração e custos.
