O mercado brasileiro começou a semana com o dólar em leve queda, cotado a R$ 5,5748, uma baixa de 0,23% em relação ao fechamento anterior. Esta movimentação ocorre em meio a eventos globais e locais que podem ter impactos significativos, como as negociações de tarifas entre os Estados Unidos e economias atingidas pelas políticas protecionistas do governo Trump, e a recente entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, à rádio CBN.
Entrevista de Fernando Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista à rádio CBN na manhã desta segunda-feira (21), destacou a postura do governo brasileiro diante do tarifaço imposto pelos EUA. Haddad declarou que o Brasil não pretende se retirar da mesa de negociações com os americanos, mesmo após os desdobramentos das tarifas que afetam setores importantes da economia brasileira. Além disso, revelou que há a elaboração de um plano de contingência para mitigar os impactos negativos do tarifaço sobre os setores mais atingidos.
Relações Brasil-EUA em Tensão
As relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos têm passado por momentos de tensão, notadamente agravados após a decisão do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de revogar os vistos de vários ministros do Supremo Tribunal Federal do Brasil, incluindo Alexandre de Moraes e outros importantes nomes do judiciário brasileiro. Esta medida foi parte da resposta dos EUA à imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, sustentada por investigações de práticas comerciais desleais.
Contexto Global e Desdobramentos
No cenário internacional, a União Europeia também enfrenta dificuldades nas negociações tarifárias com os EUA. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reunirá-se esta semana com o presidente chinês, Xi Jinping, para discutir possíveis parcerias comerciais como resposta ao impasse com os norte-americanos. A expectativa de avanço nas negociações é baixa, com divergências sendo relatadas nas propostas americanas que frustraram as rodadas anteriores de diálogos.
Além disso, o Anti-Coercion Instrument da União Europeia, em vigor desde 2023, oferece um mecanismo para contrapor-se a medidas de coerção econômica, como as sanções e tarifas aplicadas a países membros.
Impactos no Mercado Financeiro
As projeções econômicas para o Brasil foram recentemente atualizadas pelo relatório Focus do Banco Central. A previsão de inflação para 2025 caiu ligeiramente, mas ainda supera o teto da meta oficial. As expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 permanecem estáveis, somadas a uma previsão de taxa Selic constante de 15% ao ano.
Nos mercados globais, a bolsa de Xangai e o índice Hang Seng de Hong Kong registraram ganhos, enquanto na Europa, as incertezas comerciais pressionaram os índices para baixo. Nos EUA, os futuros de ações se preparam para a temporada de balanços de importantes empresas de tecnologia que poderão definir o humor dos investidores nos próximos dias.
O mercado segue atento aos desdobramentos das negociações tarifárias e ao potencial impacto sobre a economia global, com decisões a se materializarem antes do prazo crucial de renegociação tarifária em 1º de agosto.