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Durigan diz que ‘gargalo’ da economia são os juros altos: ‘quem é menos culpadoé o Ministério da Fazenda’

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta semana que o principal “gargalo” da economia brasileira é o nível elevado dos juros, que desestimula o investimento privado e pressiona a dívida pública. Ele defendeu a “harmonização” entre política fiscal e monetária e rejeitou a leitura de que medidas do governo voltadas a estimular a atividade tenham contribuído para manter a taxa básica elevada. Durigan é ministro da Fazenda desde março de 2026.

Juros e dívida em patamar elevado

Segundo Durigan, a taxa de juros corrige grande parte da dívida pública, o que faz com que o custo do endividamento aumente quando os juros sobem. A dívida bruta do governo geral está em 81,4% do Produto Interno Bruto, patamar considerado elevado para economias emergentes, de acordo com dados oficiais citados pela imprensa em 30 de junho de 2026. A Selic está em 14,25% ao ano e, em termos reais (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses), figura entre as mais altas do mundo, conforme ranking da MoneYou que compara 40 países.

Harmonização das políticas e atuação do BC

Durigan afirmou ser necessário alinhar a trajetória de receitas e despesas públicas com a política monetária conduzida pelo Banco Central (BC) para o controle da inflação. Economistas, porém, avaliam que o descompasso entre as frentes fiscal e monetária dificulta o controle dos preços e pressiona a taxa de juros, ao apontarem que estímulos à atividade conflitam com a estratégia de desaceleração da economia. O BC, por sua vez, sustenta que sua atuação é reativa ao cenário e lembra que a Selic é uma taxa de curto prazo, ajustada para ancorar as expectativas de inflação.

Crédito direcionado em ano eleitoral

Questionado se a concessão de linhas de crédito com taxas favorecidas em um ano eleitoral — como para compra de caminhões e ônibus, reformas de imóveis, táxis e o programa Desenrola 2.0 — não dificultou cortes mais agressivos da Selic, o ministro disse que não. Essas iniciativas foram apontadas por parte do mercado como potenciais fatores de pressão sobre os juros.

Agenda fiscal: ajuste, tributos e benefícios

Durigan declarou que o governo implementará, nos próximos anos, o ajuste necessário para perseguir as metas de resultado das contas públicas, com ênfase em contenção de gastos e redução de benefícios fiscais. O ministro defendeu aumentar a tributação sobre os mais ricos, rever programas sociais e cortar incentivos tributários. Sobre propostas de desindexar o salário mínimo de benefícios previdenciários e de despesas de saúde e educação da variação da receita — medidas defendidas por analistas —, afirmou que o debate caberá ao próximo governo. Ele reiterou considerar o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, “viável e sustentável”, apesar da compressão gradual dos gastos livres e do temor de paralisação administrativa.

Visão do mercado e antecedentes

O mercado financeiro tem sido crítico à estratégia de elevar a carga tributária para recompor receitas enquanto as despesas avançam, e pede maior foco em cortes estruturais para permitir a queda sustentável dos juros e estabilizar a dívida. Em 2023, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que os juros são altos no Brasil em razão do nível de endividamento público, e não o contrário.

Encerramento

As declarações de Durigan reacendem o debate sobre a calibragem entre política fiscal e monetária em um cenário de dívida elevada e juros altos. As definições sobre o ajuste das contas públicas e os próximos passos do Banco Central tendem a influenciar o ritmo de investimentos, a dinâmica da inflação e a trajetória da dívida nos próximos meses.

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