São Paulo — A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, marcada para o próximo dia 7, deve injetar R$ 466,2 milhões na economia da capital neste ano, segundo estimativa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O montante representa queda de 15% em relação a 2025, quando o evento movimentou R$ 548,5 milhões, uma diferença de R$ 82,3 milhões atribuída principalmente à perda de patrocinadores.
Impacto econômico e setores afetados
De acordo com a ACSP, a projeção considera despesas em bares, restaurantes, hotéis, turismo, transporte, comércio informal e venda de adereços — segmentos historicamente impulsionados pelo público que participa da Parada. A entidade associa o recuo no impacto à retração do financiamento privado, o que tende a reduzir a escala do evento no ano em que a celebração completa 30 anos.
Patrocínios em retração
A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), organizadora do evento, afirma que a diminuição do apoio financeiro ocorre em meio ao avanço de discursos conservadores e ao recuo de políticas corporativas de diversidade. Nos bastidores, organizadores e artistas criticam empresas que tradicionalmente lançam campanhas voltadas ao público LGBTQIA+ durante o mês do orgulho, mas que reduziram ou suspenderam investimentos neste ano. Entre as manifestações públicas, a cantora Pabllo Vittar criticou, nas redes sociais, o afastamento de marcas patrocinadoras.
Tema e mobilização
A edição deste ano terá como tema “A rua convoca, a urna confirma”, com foco nas eleições e na mobilização política da população LGBTQIA+. Segundo a organização, a proposta é reforçar a ocupação das ruas como instrumento de defesa de direitos diante do avanço de pautas conservadoras no país.
Apoio do poder público municipal
Embora a Parada não seja um evento oficial da Prefeitura de São Paulo, a gestão municipal tradicionalmente participa com investimentos e divulgação institucional. Em 2025, o poder público destinou mais de R$ 6 milhões ao evento. Até a última atualização informada pelo g1, a Prefeitura não havia confirmado se haverá aporte para a edição deste ano.
Projeto de lei em tramitação
Às vésperas do evento, a Câmara Municipal aprovou em primeira votação, na quarta-feira (20), um projeto de lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, incluindo a Parada do Orgulho LGBT+, mesmo quando acompanhados pelos pais ou responsáveis. O texto também determina que eventos com temática LGBTQIA+ ocorram apenas em espaços fechados, com controle de entrada, proibindo a ocupação de vias públicas, e prevê multas que podem chegar a R$ 1 milhão.
A proposta ainda precisa passar por uma segunda votação em plenário antes de seguir para eventual sanção do prefeito. Especialistas ouvidos pelo g1 classificam o projeto como inconstitucional e discriminatório. Para o advogado Flávio Crocce Caetano, presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB-SP:
“Não se pode proibir que crianças e adolescentes, cuja responsabilidade é dos pais, participem de eventos como esse. Quem decide o que é bom para os filhos são os seus pais”.
Próximos passos
Com a Parada prevista para o próximo dia 7, a expectativa do comércio e do setor de serviços se concentra no fluxo de visitantes e no tíquete médio do público, ainda que em patamar menor que o de 2025. No campo institucional, a tramitação do projeto de lei na Câmara e uma definição da Prefeitura sobre eventual apoio à edição de 2026 seguem como pontos de atenção para organizadores e agentes econômicos.
