Written by 09:27 Economia e Investimentos Views: 0

Diretor de banco pede desculpas após chamar funcionários de ‘capital humano demenor valor’

Bill Winters, CEO do Standard Chartered, pediu desculpas após se referir a funções suscetíveis à automação como “capital humano de menor valor” durante uma conferência recente com investidores. O executivo afirmou que a automação deverá levar a uma redução de cerca de 15% nos cargos de back-office do banco ao longo dos próximos quatro anos — o equivalente a aproximadamente 7,8 mil postos de trabalho — e disse, em postagens no LinkedIn, estar comprometido em apoiar a realocação e a capacitação dos funcionários afetados.

As declarações e a retratação

Ao discutir o impacto da inteligência artificial (IA) e da automação na estrutura do Standard Chartered, Winters declarou que a discussão não se tratava de reduzir custos, mas de “substituir, em alguns casos, capital humano de menor valor por capital financeiro e capital de investimento que estamos aportando”. Depois da repercussão, o executivo publicou esclarecimentos no LinkedIn, lamentando que suas palavras tenham “incomodado alguns colegas” e assegurando que tem os funcionários “na mais alta estima”.

Em uma primeira publicação, Winters afirmou que o banco tem, há anos, ajudado colaboradores cujas funções podem ser impactadas pela automação a desenvolver habilidades para acessar novas oportunidades internas. “Foi nesse contexto que mencionei que funções de menor valor são mais vulneráveis à automação e que temos a responsabilidade de ajudar nossos colegas a fazer a transição para funções de maior valor”, escreveu, acrescentando que considera esse o papel de um empregador responsável.

Diante de questionamentos persistentes, o executivo divulgou uma transcrição de seus comentários originais para que o público pudesse compreender “o ponto importante” que buscava enfatizar — segundo ele, o compromisso da instituição em apoiar a adaptação dos funcionários ao “ritmo acelerado das mudanças” na indústria.

Repercussão entre funcionários e comunicado interno

As publicações de Winters receberam reações divergentes. Em comentários no LinkedIn, usuários afirmaram ter dificuldade em perceber a diferença entre o que foi dito na conferência e o conteúdo das notas escritas. “Ou foi uma escolha de palavras infeliz, ou se tratava de uma convicção genuína expressa exatamente da forma como pretendia”, escreveu uma pessoa. Outro avaliou: “Ele será lembrado para sempre como o cara que acha que seus funcionários são de ‘menor valor’”.

Em um memorando interno enviado no início desta semana — ao qual a BBC teve acesso —, Winters disse entender que a cobertura da imprensa possa ser “perturbadora quando reduzida a manchetes simples ou a uma frase tirada de contexto”. O CEO agradeceu aos colegas e afirmou que o banco dará prioridade à realocação “sempre que possível” e que eventuais mudanças serão “administradas com reflexão e cuidado”.

Impacto esperado no Standard Chartered

De acordo com Winters, a previsão apresentada a investidores indica uma queda de cerca de 15% nos cargos de back-office ao longo de quatro anos, o que, na estimativa do banco, representa por volta de 7,8 mil posições. O Standard Chartered emprega aproximadamente 82 mil pessoas globalmente, com a maioria atuando em funções de operações internas.

Contexto: IA e mercado de trabalho

A expansão das ferramentas de inteligência artificial tem alimentado projeções de perdas de empregos, especialmente em setores intensivos em tecnologia e entre profissionais em início de carreira. Empresas como Amazon, Meta e Microsoft, além de instituições de serviços financeiros, atribuíram à adoção de IA parte significativa das demissões — na casa das dezenas de milhares — realizadas ao longo do último ano.

Quem são o executivo e o banco

Bill Winters é CEO do Standard Chartered desde 2015. O Standard Chartered é um banco britânico com sede no Reino Unido, presença relevante em Ásia, África e Oriente Médio e ações listadas na Bolsa de Londres, onde integra o índice FTSE 100.

Encerramento

O episódio ocorre em meio a um ciclo de transformação tecnológica no setor financeiro, com potencial para reconfigurar estruturas de custo e perfis ocupacionais. Sob escrutínio interno e externo, o Standard Chartered afirma que priorizará a realocação e a qualificação de funcionários afetados pela automação, à medida que implementa suas mudanças planejadas nos próximos anos.

Visited 1 times, 1 visit(s) today
Close