A Spirit Airlines, companhia aérea de baixo custo em processo de falência, anunciou o cancelamento de todos os voos a partir deste sábado (2) e orientou seus clientes a não se dirigirem aos aeroportos. Segundo comunicado divulgado na madrugada, a empresa iniciará um encerramento ordenado das operações. A decisão ocorre após uma reunião do conselho na sexta-feira (1º) terminar sem acordo com credores para evitar o fechamento, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.
Operações suspensas e início da liquidação
- Em nota, a Spirit informou que “todos os voos da Spirit foram cancelados” a partir deste sábado (2).
- Fontes consultadas pela Reuters afirmaram que a companhia deve suspender voos durante a noite, reposicionar aeronaves para devolução e liberar tripulações, etapas típicas de um processo de liquidação.
- Um porta-voz da empresa não comentou as discussões em andamento.
Tentativa de resgate e impasse com credores
- O governo dos Estados Unidos apresentou uma proposta de financiamento de US$ 500 milhões, em troca de 90% de participação na empresa, segundo pessoas a par das tratativas.
- O presidente Donald Trump afirmou na sexta-feira (1º) que a Casa Branca havia submetido uma proposta final à Spirit e a seus credores para tentar manter a companhia operando.
- Houve divergências internas e nem todos os credores concordaram com o plano. “O governo Trump fez um esforço extraordinário para tentar salvar a Spirit, mas não se pode dar vida a um cadáver”, disse um credor envolvido nas negociações, defendendo que a empresa deixasse claras suas intenções “pelo bem de clientes e funcionários”.
- O secretário de Transportes, Sean Duffy, disse à Reuters que buscou potenciais compradores para a Spirit, sem sucesso. “O que alguém compraria?”, questionou.
Impacto para passageiros e o setor
- O governo entrou em contato com outras companhias para discutir como acomodar clientes da Spirit. United Airlines, American Airlines, Frontier Airlines e JetBlue Airways informaram que se preparam para atender esses passageiros.
- Nenhuma aérea americana do porte da Spirit — que já respondeu por cerca de 5% dos voos nos EUA — foi liquidada nas últimas duas décadas. A empresa ajudava a manter tarifas mais baixas nos mercados em que competia com grandes companhias.
- A presidente da Associação de Comissários de Bordo (AFA), Sara Nelson, afirmou que um fechamento da Spirit pode eliminar quase 20 mil empregos, destacando a dimensão social do colapso.
Contexto financeiro e pressão de custos
- A Spirit havia negociado um acordo com credores para sair da recuperação judicial até meados de 2026. Os planos, porém, foram frustrados pela escalada dos custos de combustível de aviação em meio à guerra com o Irã, iniciada há dois meses, segundo as fontes.
- A companhia projetava custos de cerca de US$ 2,24 por galão em 2026, mas, até o fim de abril, o valor havia subido para aproximadamente US$ 4,51 — mais que o dobro do previsto.
- O colapso marca a primeira falência de uma aérea em parte atribuída à disparada do preço do combustível nesse contexto, de acordo com relatos das agências.
Desdobramentos e próximos passos
- A orientação oficial da companhia é que passageiros com bilhetes não se apresentem nos aeroportos.
- Com o encerramento ordenado, a empresa deve focar na devolução de aeronaves e na liberação de tripulações, enquanto autoridades e outras aéreas organizam alternativas para clientes impactados.
- O governo indicou que continuará coordenando esforços com o setor para mitigar os efeitos imediatos sobre passageiros e malha aérea.
Esta reportagem se baseia no comunicado da Spirit e em informações reportadas por Reuters e AFP. Atualizaremos esta matéria conforme novas informações verificáveis forem divulgadas.
