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Uma pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em 20 de abril aponta que 90% dos brasileiros acreditam que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã trará impactos à economia nacional. Entre os entrevistados, 65% avaliam que a economia será “muito afetada” e 25% “um pouco”. Apenas 6% consideram que não haverá efeito, enquanto 5% não souberam responder.
Percepção de impacto e pressão sobre preços
Segundo o levantamento, há um consenso de que preços devem ser pressionados. Nove em cada dez brasileiros afirmam que a guerra afetará diretamente:
- Combustíveis (92%)
- Alimentos (91%)
- Gás de cozinha (89%)
- Inflação (89%)
Para além da economia, 76% dos entrevistados acreditam que as relações diplomáticas do Brasil com outros países também sofrerão reflexos.
Neutralidade e avaliação do conflito
No campo diplomático, 83% dos brasileiros defendem que o país adote postura neutra no conflito. O apoio explícito ao bloco liderado por Estados Unidos e Israel soma 10%, enquanto 2% declaram alinhamento ao Irã; 5% não souberam responder.
A pesquisa também captou uma leitura crítica sobre a escalada de tensões. De acordo com o Ipsos-Ipec, 64% consideram que o ataque conjunto de EUA e Israel em 28 de fevereiro — que resultou na morte do líder supremo iraniano — foi “desnecessário” ou “totalmente desnecessário”. O episódio ocorreu em meio ao agravamento do confronto na região, que culminou na morte do aiatolá Ali Khamenei em 28 de fevereiro, segundo registros públicos internacionais.
Segurança e dimensão humanitária
O conflito é percebido como um risco à segurança nacional por 67% dos brasileiros. No plano humanitário, 75% demonstram preocupação com a segurança de suas próprias famílias e 70% com a vida de brasileiros que residem no Oriente Médio. O temor com civis na região também aparece: 57% se dizem preocupados com israelenses e 55% com iranianos.
Leitura da pesquisa
Para Márcia Cavallari, diretora-geral do Ipsos-Ipec, a percepção de impacto econômico revela um público atento aos efeitos no bolso e às implicações globais do conflito. Segundo ela, a sociedade também sinaliza visão crítica sobre a necessidade do ataque que desencadeou a guerra e reforça que o governo brasileiro deve adotar uma postura de neutralidade.
Metodologia
A pesquisa Ipsos-Ipec foi realizada entre 8 e 12 de abril, com 2.000 entrevistas em 130 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Encerramento
Os dados indicam uma população preocupada com os efeitos econômicos imediatos — especialmente sobre combustíveis, alimentos, gás de cozinha e inflação — e favorável a uma política externa de neutralidade. Em um cenário internacional volátil, a percepção de risco à segurança e o foco no custo de vida reforçam a sensibilidade do tema para famílias e para a condução da política econômica no país.
